sexta-feira, 12 de junho de 2015

Foto: Márcinha Cristina Ferreira

A importância da manutenção da tradição bombinense é repassada a grupo de alunos de 12 e 14 anos da rede municipal.

A tarde do Beijú, em seu terceiro ano de realização, é um acontecimento de salvaguarda, manutenção, fomento e valorização da cultura tradicional bombinese. Por ser uma manifestação presente na identidade do litoral catarinense, a cada dia, ganha mais admiradores e se tornou referência na região. O encontro de sabores e saberes, regado a conversas e partilha, é realizado na primeira quinta-feira dos meses de abril a novembro, no Museu Comunitário Engenho do Sertão, e promove o encontro de gerações de estudantes e população em geral em torno de um forno centenário de engenho de farinha de mandioca.

No último acontecimento realizado no dia 11 de junho a visita ilustre ficou por conta de 45 alunos do 7º ano 2 e 9º ano 2 da Escola Básica Municipal Edith Willcke, que foram ver como se faz o beijú e degustar essa iguaria tão presente na mesa bombinense. A escola trabalha com o tema gastronomia para desenvolver conteúdos que serão apresentados e expostos no 22º Açor, que Bombinhas sedia entre os dias 2 e 4 de outubro. Para tanto, realiza visitas a casas de mestres da comunidade tradicional que ensinam a meninada sobre a culinária típica local. E nada melhor que participar de uma Tarde do Beijú para aprender o seu feitio com as matronas bombinenses e, principalmente, compreender a importância da iguaria na história local.

A professora Odete Elenir Vieira acompanhou as turmas para as quais leciona a disciplina de língua portuguesa, e fala sobre a importância e emoção das vivências desta tarde. “Me proporcionou reviver os tempos de outrora, nos quais, a vida era realmente simples e a felicidade era sentida através das pequenas coisas, dos pequenos gestos. Como saborear o beijú numa tarde de quinta-feira”.

A aluna do 7º ano Beatrice Caetano, de 12 anos, mora em Bombinhas há apenas seis meses, nunca tinha provado beijú ou visto um engenho de farinha de mandioca. “Tudo pra mim é novidade, eu gostei do beijú e a vinda aqui é boa porque repassa as histórias do passado a nós do presente”. Já Brian Lucas da Silva do 9º ano, de 15 anos, é herdeiro de família local, traz na veia a tradição que vem sendo repassada de geração a geração, mas devido a sua tenra idade nunca tinha visto como se faz o beijú. “Minha vó sempre contou como se faz, mas eu nunca tinha visto. Me emocionei, chorei, porque lembrei da família e da bisa Rosa”, Brian se refere a uma das personagens no filme “Antes do Inverno” que retrata a pesca artesanal da tainha em Bombinhas, sua bisavó, falecida no ano passado.

Além dos estudantes que enfeitaram e levaram mais alegria ao encontro, também participaram desta edição a secretária de Turismo de Bombinhas Sabrina Erinete de Souza, a gerente e a técnica de cultura do Sesc de Tijucas, Elizandra Prestes e Kamila Debortoli. Ainda acompanharam os alunos da EBM Edith Willecke a coordenadora Bruna Cruz e a secretária Josiane Correia Rosa.