sábado, 4 de julho de 2015





Quando acreditava-se que a Tarde do Beijú não tinha mais nada de novo a oferecer, acontecimento inova uma vez mais

É de conhecimento público que a Tarde do Beijú acontece toda primeira quinta-feira entre os meses de abril e novembro, no Museu Comunitário Engenho do Sertão, realizada pela Fundação Municipal de Cultura de Bombinhas, em parceria com o Instituto Boimamão. Que, tanto o calendário municipal, quanto o estadual consolida o acontecimento que tornou-se referencial cultural no litoral catarinense, também é de conhecimento público.
Com tudo isto conclui-se que a Tarde do Beijú, proporcionada pela FMC foi apropriada pela comunidade bombinense e realiza um momento singular de fomento, valorização, manutenção e despertar de uma tradição, extremamente importante na identidade cultural local.

No entanto, quando a comunidade é mais que uma companheira, na realidade uma parceira, a proporção do acontecimento acaba por se tornar maior ainda. Foi o que aconteceu na última edição, realizada no dia 2 de julho.


Desde a uma da tarde a fornalha estava acesa com direito a visitas singulares neste encontro, assim, carinhosamente, foram recebidos os alunos das turmas do Pré I e II, das professoras Cleide Rebello e Tânia Cruz, acompanhadas pelas monitoras Patrícia Caetano e Ariane Barroso, do Centro de Educação Infantil Sítio do Pica-Pau-Amarelo, que foram conhecer e degustar beijú. Muitos deles acostumados a iguaria em sua mesa, mas para alguns, novidade. Outra visita ilustre foi Dona Nina, ou Argelina Maria da Silva Cruz, de 88 anos, moradora do Canto Grande, que olhava tudo encantada, pois fazia mais de 30 anos que não punha os pés num engenho de farinha de mandioca. E já chegou perguntando ao neto André a quem pertenceu aquele engenho. “Estou muito feliz, a gente se lembra do passado, da raspagem da mandioca. Do capoti, sabe o que é capoti? A gente pegava uma raiz raspava até a metade e jogava pra outra terminar. Eu e minha cunhada raspávamos meia gamela de mandioca cada uma”, conta D. Nina, que dançou, cantou junto aos demais, ao som da gaita de Seu Diomar Luchtemberg, de Rio Claro no estado de São Paulo, que tocou a tarde inteira. 

Ainda estiveram presentes o proprietário de um engenho semi industrial da localidade de Itinga em Tijucas, Seu Nilton Joventino Dias, conhecido como Seu Tinho e sua esposa Dona Tereza. E a assessora da Secretaria da Pesca, Mariane Fernandes e Marcus Israel, diretor de markenting e eventos da Secretaria de Turismo e Esporte, ambos de Garopaba. Marcus Israel tem o engenho de farinha de mandioca como herança familiar materna e o rancho de pesca pelo lado paterno. É dele a definição da Tarde do Beijú. “Estou encantado. Crianças e idosos compartilhando vivências. As pessoas não se dão conta, mas em um único espaço e acontecimento tem história, música, dança, gastronomia, tradição, tudo junto”, ainda, parabenizou o trabalho realizado em Bombinhas e afirmou que é espelho para Garopaba.

A próxima Tarde do Beijú acontece dia 6 de agosto.