quarta-feira, 7 de outubro de 2015


Mais que emoção, que divertimento a maior festa já realizada em Bombinhas, deixa um legado cultural sem precedentes na história.

A maior Festa da Cultura Açoriana das Américas, realizada entre os dias 2 e 4 de outubro, reuniu milhares de pessoas em Bombinhas, entre comunidade local, do litoral catarinense, visitantes de vários estados brasileiros, Uruguai e muitos além-mar. A abertura reuniu a perfeita Paulinha, o vice-prefeito Paulinho, os organizadores do acontecimento Joi Cletison do Núcleo de Estudos Açorianos – Nea, da Universidade Federal de Santa Catarina, e Nívea Maria da Silva Bücker da Fundação Municipal de Cultura, representantes do legislativo municipal e das instituições da Comissão que participou da coordenação: Rosane Luchtenber do Instituto Boimamão, Vera Eli Pereira Pires do grupo Folclórico Mixtura, Fernanda Nadir da Silva da Associação Cultural Zé Amândio e Miriam Vaccarelli do Conselho Municipal de Políticas Culturais. Ainda somaram as autoridades os amigos e parceiros do Arquipélago dos Açores: José Armindo Gonçalves, Fernando Goulart, Suzana Moura, Conceição Melo Cabral e Maria Orísia Melo.

Durante os três dias desfilaram pelos dois palcos, simultaneamente, Vendas de Bombinhas e Domingueira, mais de 70 grupos em suas mais diversas manifestações: Boi de Mamão, Dança Açoriana, Terno de Reis, Ratoeira, contação de histórias direto dos Açores com Suzana Moura, lançamento dos livros das escritoras Conceição Melo Cabral e Maria Orísia Melo, lançamento do documentário sobre o 21º Açor em Florianópolis em 2014, da cineasta Tatiana Kviatkoski, solo do músico açoriano Fernando Goulart e do músico portobelense Bruno Kohl, e shows com as bandas: Cantadores de Engenho de Bombinhas, Nilêra de Florianópolis, Tarrafa Elétrica de Itajaí e Sarau Afro-Açoriano de Porto Belo/Bombinhas.

As apresentações, todas preparadas e ensaiadas com muito carinho para o 22 º Açor, contaram com grupos representantes de 40 cidades do litoral catarinense, Curitiba e Uruguai. De Bombinhas, além do tradicional grupo folclórico Mixtura, pisaram aqueles palcos sagrados os grupos da Fundação de Cultura: de dança açoriana Roda de Eira, de Boi de Mamão Eira meu Boi, Coral Municipal de Bombinhas e As Borboletinhas. E abrilhantaram, ainda mais, o acontecimento a participação do Terno de Reis Estrela do Oriente do Morrinhos, Boi de Mamão Tradição do Canto Grande, Grupo Folclórico da Terceira Idade Novo Horizonte e diversas exibições das escolas bombinenses, preparadas com muito zelo, destaque para os Bois de Mamão do Maria Rita Flor e da Apae de Bombinhas e Porto Belo.



O desfile etnográfico que aconteceu na Rua Leão Marinho, bairro José Amândio, no sábado pela manhã, foi uma atração a parte, pois reuniu todos os grupos que vieram para o Açor e mais as escolas locais, que simplesmente arrasaram com suas coreografias, figurinos, cantorias e principalmente, a participação intensiva da comunidade escolar como um todo, destaque para pais e alunos que abraçaram e fizeram um espetáculo nunca visto antes.

A Missa do Encontro da Bandeiras e da Folia do Espírito Santo no domingo, até então nunca realizada no município, na Igreja Matriz Nossa Senhora da Imaculada Conceição, não poupou ninguém, muita emoção, fé, tradição, história e lágrimas em todos os momentos. O assessor jurídico da Câmara de Vereadores de Bombinhas, Ramon Souza, resumiu o sentimento geral: “Foi a missa mais linda que eu já vi. Passarão muitos anos e eu acredito que não verei uma missa tão bonita como aquela”, ainda, ressaltou a competência da FMC. “A gente não espera surpresas de vocês, já não mais nos surpreendem, se superam cada vez mais”.
O visitante brusquense Renato Dias falou que de todas as festas temáticas em que esteve, o Açor em Bombinhas foi a melhor. Frisou que a valorização da cultura o surpreendeu. “Não imaginei que seria tão lindo, estou encantado. Uma festa familiar, sem bebedeira, baderna, onde crianças, anciões, pessoas de todas as idades se divertiram muito”.

O sentimento de quem participa desde o início do festejo, aliás um dos criadores do acontecimento e coordenador estadual em todos os anos, Joi Cletison, foi o termômetro da festa. “Sempre quisemos fazer um Açor perfeito, do jeito que tínhamos sonhado, conseguimos realizar em Bombinhas, depois de 21 anos de festejo”. Joi aproveitou a 22ª Festa da Cultura Açoriana de Santa Catarina para comunicar que este foi sua última, como organizador e Coordenador do Nea, pois se aposenta em março. “Depois do evento em Florianópolis tomei esta decisão, eu tinha o compromisso com Bombinhas e por isso fiquei até agora”, declarou que o conhecimento adquirido em todos estes anos estará a disposição do novo organizador e fará todo o possível para ajudar, ressaltou que encerra uma trajetória com chave de ouro. “Fizemos a melhor festa de todas, em todos os aspectos aqui foi a melhor, conseguimos envolver toda a comunidade, quando pensamos no Açor era pra ser todos assim”.

A prefeita Paulinha, o vice Paulinho e Nívea Maria da Silva Bücker, emocionados encerraram o festejo com uma homenagem a Joi Cletison, que em lágrimas foi ovacionado pelos presentes. “Não podemos fechar este evento sem prestar toda a nossa gratidão ao grande homem que dedicou 22 anos de sua vida pela cultura de base açoriana”, também destacou a importância do festejo para a população bombinense e o legado que deixa: “O mais bonito e surpreendente foi que a nossa comunidade se apropriou do acontecimento, abraçou conosco a festa, que é da população. Não é do Nea, da prefeitura, da Ufsc ou da Fundação de Cultura, é da comunidade. E nós fizemos tão pouco, apenas oportunizamos”, ressalta Paulinha.


O 23º Açor ainda não tem previsão de acontecimento ou de cidade-sede. Já Bombinhas, guardará para sempre a beleza, alegria e a emoção de sediar um Açor.