terça-feira, 29 de março de 2016



Em frente a beleza da Praia de Quatro Ilhas 1º Pirão Cultural promove discussão sobre Patrimônio Imaterial.

O vento típico de outono trouxe ainda mais magia para a noite da última quinta-feira, dia 24 de março. As ondas do mar quebravam altas na praia de Quatro Ilhas e garantiram uma sinfonia a parte aos presentes no 1º Pirão Cultural de 2016. Os anfitriões, o restaurante Rancho do Vital, a postos com as chamas dos fogões aquecendo o ambiente, no preparo do que seria um verdadeiro banquete ao seleto grupo que se permitiu vivenciar essa experiência.

O palestrante da noite propiciou uma aula sobre Patrimônio Imaterial, sua proteção e valorização. O professor Dalmo Vieira Filho foi superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, por mais de 20 anos, e ajudou a fundar a superintendência em Santa Catarina, atualmente o professor se divide como arquiteto nesta instituição e as aulas na Universidade Federal de Santa Catarina. Em seu currículo somam dezenas de tombamentos, estudos e orientações para tombo em todo o território nacional, e toda esta riqueza em mais de 30 anos de experiência foi compartilhada com o público no acontecimento, como é típico do Pirão Cultural.

O professor Dalmo elogiou a presença, a seu ver, de tanta gente interessada na salvaguarda do patrimônio cultural, ressaltou que cultura não é um assessório, como a leitura de um livro ou uma ida ao teatro, mas de toda a dimensão humana. Relembrou a fala de Gilberto Gil, enquanto Ministro da Cultura, que “a cultura deve estar na cesta básica da cidadania”. Explicou que identidade é patrimônio e compreende as coisas que devemos guardar para o futuro. “Patrimônio só tem sentido se for construído para um mundo melhor. Ninguém é moderno distribuindo tudo. Ninguém é moderno se não pensar nos laços de identidade”, enfatiza o professor.

A presidente da Fundação Municipal de Cultura, Nívea Maria da Silva Bücker, destacou que o Pirão Cultural é um modo de manutenção de algumas tradições. “A realização do Pirão em parceria com os restaurantes de nossa cidade, hoje com o Rancho do Vital, é uma maneira de mostrar à comunidade que o que se solidifica culturalmente falando é o 
que ela se apropria”, assegura Nívea.

O encontro ofereceu a música de Dentinho Arueira que embalado pela sinfonia do mar proporcionou um repertório extraordinário de MPB, trazendo mais magia ainda a noite. 

Uma das sócias do Rancho do Vital, Maurília Miguel, conhecida por todos como Preta, se disse encantada com o acontecimento, além de levar ao espaço muita gente que não conhecia o restaurante que puderam provar as delícias preparadas pelos alquimistas do Rancho, que serviram pratos a base de pirão e peixe. “Valeu muito a pena. Eu já tinha ido ao Pirão Cultural, mas fazer foi uma experiência bem legal, quero, inclusive, participar de algumas outras atividades. Contem comigo, sempre”, garante Preta.



O Pirão Cultural é uma realização da Fundação Municipal de Cultura de Bombinhas, com apoio do Núcleo de Estudos Açorianos – Nea da Ufsc, acontece na última quinta-feira do mês, com algumas exceções, até novembro, e sua proposta é aliar conhecimento, arte, história e gastronomia em parceria com os restaurantes bombinenses, de forma itinerante, privilegiando todos os bairros. O Pirão de abril será no dia 28, no bairro Morrinhos, no Alquimista Burguer.