segunda-feira, 8 de maio de 2017


Fé, tradição e esperança de fartura marca celebração de abertura da pesca artesanal da tainha de 2017.

Neste domingo, 7 de maio, foi realizada a Missa de Abertura da Pesca Artesanal da Tainha de 2017, na praia de Bombas. A missa presidida pelo pároco bombinense, Padre Silvano de Oliveira, além de festejar o início da temporada de tainhas, iniciada no dia primeiro de maio, e pedir a abundância dos cercos e lanços, abençoar comunidade pesqueira e embarcações presentes, demonstra todo o significado desta tradição para a população em geral.

Este ano o caíco “Anjo Rafael” serviu de altar onde os paramentos litúrgicos, objetos e alimentos foram ofertados, entre eles a pomboca (espécie de lamparina), produtos da terra, réplica de uma canoa, tarrafa, o pão e o vinho. As três tendas que serviram de abrigo, às cerca de 300 pessoas na praia, foram ornamentadas com folhas e cachos de bananeiras e redes de pesca. Em um dos cantos do rancho utensílios e toalhas de prato antigos, de familiares dos organizadores da missa, a maioria já falecidos, traduziam o significado da importância da memória para a comunidade bombinense. Outro cantinho todo especial e rico em memória e história foi o mural com fotografias dos pescadores falecidos, alguns, inclusive, mortos exercendo a profissão, no mar.

A celebração como um todo foi emocionante e era perceptível a fé e valorização da identidade cultural local nos semblantes dos presentes, entre eles a prefeita Ana Paula da Silva, a Paulinha, e o vice-prefeito Paulo Henrique Dalago Müller, o Paulinho, que fizeram questão de enaltecer as raízes bombinenses e ressaltar que nesta missa sempre têm um pedido especial em prol da coletividade. “Na primeira missa da tainha que o senhor celebrou em nossa cidade nós pedimos pela avenida Leopoldo Zarling, e fomos atendidos, hoje meu pedido é para a conclusão do calçadão e pela avenida Fragata que em breve terá sua obra iniciada. Que Deus nos conceda a graça de terminá-la o mais rápido possível e assim melhorar a qualidade de vida de nossa gente”, ressalta Paulinha.

A passagem da rede de pesca sobre as cabeças das pessoas, conduzida pelos pescadores e puxada por Nossa Senhora, sempre muito esperado pelos presentes, também foi um momento tocante, que chegou a levar lágrimas nos olhos de alguns. Ao final, foi servido o já tradicional café típico a todos que ali estavam. Esta partilha composta por coruja (rosca de massa), pudim de folha, beiju e outras delicias da mesa bombinense, teve seu feitio pelas matronas da comunidade de Bombas, que trabalharam durante três dias para que tudo saísse a contento, integraram esse contingente: Bia do Zequinha, Sônia do Cimá, Dete, Rosete, Mailde, Darci, Rosa Melo, Elma, Claudete do Didico, Verônica, Marlene e Leia.



A missa de abertura da pesca da tainha é organizada por uma comissão que este ano instituiu o livro ouro, que foi abençoado durante a missa, para que se fizesse o café típico, oferecido desde a primeira celebração em 2008. Um dos fundadores do acontecimento José Olímpio Filho, o Mestre Zequinha, em nome da comissão organizadora disse que para 2018 haverá uma preparação ainda mais especial, haja vista, que a celebração completa uma década de realização.