sexta-feira, 14 de julho de 2017



Enquanto a fumaça ganhava o horizonte e o cheiro do beijú fresquinho inebriava a todos, o riso ganhava a tarde e a FMC escrevia mais um capítulo do acontecimento tradicional.

Na tarde desta quinta-feira, 13 de julho, aconteceu a segunda edição de 2017 do encontro de sabores e saberes Tarde do Beijú, realizado sempre na primeira quinta-feira dos meses de abril a novembro, no mês de julho aconteceu na segunda semana, em virtude do Fórum Municipal de Cultura ter acontecido no dia 6 de julho. Reuniu, aproximadamente, 60 participantes, entre comunidade tradicional, população em geral, visitantes e autoridades, em torno de uma fornalha de cobre centenária, que um dia pertenceu ao “engenheiro” Mané Chica.

A Tarde do Beijú é realizada pela Fundação Municipal de Cultura, em parceria com o Instituto BoiMamão que cede o espaço, com o intuito de proporcionar a manutenção dessa tradição tão significativa na identidade cultural bombinense, tem entrada livre e atende estudantes desde o ensino infantil até doutorandos para receber o conhecimento direto da fonte: as matronas bombinenses. E o que não faltou foram bejuzeiras sábias e habilidosas no feitio da iguaria. Esta edição de julho integra o Projeto “Vô Sabe, Vô Ensina”, realizado pela Fundação de Cultura, com o apoio do Estado de Santa Catarina, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, Fundação Catarinense de Cultura, FUNCULTURAL e Edital Elisabete Anderle/2014, e além do beijú regado a cafezinho e chás, foi servido a rosca de massa, produzida sob a orientação da Mestra da Cultura Tradicional de Bombinhas, na categoria gastronomia, Salete Pinheiro Pereira. Este prato também é muito presente na mesa local.

A tarde foi recheada de causos, histórias, risadas e contou com as intervenções do Zé do Araçá, personagem do jovem Willian Ismael dos Santos, da vó Ana Francisca personagem da atriz Sandra Baron e a apresentação do Grupo de Ratoeira Novo Horizonte da comunidade de Bombas, ainda, durante toda a tarde o pescador Capela (José Bento da Silva) teceu uma tarrafa, possibilitando aos interessados o conhecimento da confecção do artefato.

Dona Izali Rosa Mafra, 65 anos, é moradora do Morro do Céu, no bairro de Zimbros, e resume bem o sentimento vivenciado durante a tarde. “Eu gostei muito da ratoeira, adorei. Lembrei do passado, brinquei muito dessa ciranda quando era criança. Faz só três meses que eu perdi meu marido, nunca pensei que voltaria a sorrir de novo. Mas nessa tarde eu voltei a sorrir”, comenta dona Zala como é conhecida a senhora. Narrativas como essas de envolvimento da comunidade com o acontecimento, levaram a Tarde do Beijú a ser referência no calendário cultural regional.

A próxima Tarde do Beijú será realizada no dia 3 de agosto.