quinta-feira, 1 de março de 2018

 
Foto Marcinha Ferreira

Aproximadamente 1000 pessoas participaram de Festival que encerrou encontro de profissionais e amantes da cultura “Malinke” e “Mandingue” em Bombinhas.


Foto Agustina Martinez
Foi realizado no último sábado, dia 24 de fevereiro, o Festival Verde África, em Bombinhas, mais precisamente na Praia Retiro dos Padres. O acontecimento marcou o encerramento do VII Festival Internacional de Cultura Africana da América Latina – Stage Camp África Raices, que reuniu 150 participantes do Brasil, México, Colômbia, Honduras, Chile, Argentina e Uruguai, entre profissionais que atuam na dança e música, e amantes da cultura “Malinke” e “Mandingue”, artes africanas centenárias na dança e percussão.

O festival iniciou no início da tarde de sábado e foi até as 23 horas, com muita energia tanto da dança, quanto dos instrumentos de percussão que ressoaram livremente pela noite, além de muitas vozes marcantes. Passaram pelo palco Smoking Beats & Djanko Camara, Filhos do Mestre, Nañan Matos, Afro Flúor, Humus de África, Sankofa, Fidel Minda e um encontro único com os Mestres encabeçado pelo grande Famoudou Konaté, quem presenciou jamais esquecerá esse momento mágico.

Foto Santi Asef
O Stage Camp África Raices é organizado pela dupla Daniella Durán khol e Djanko Kalaban Camara, da Organização África Raices. No Brasil até ano passado foi feito em Florianópolis, e, neste ano de 2018, Bombinhas abraçou a realização através do produtor local Santiago Asef, com o patrocínio do Restaurante Retiro dos Padres e Supermercado Bombinhas, e apoio do Mestre das Águas, Camarão Peixe e Cia e Di Bel Restaurante.

Estiveram na península mestres com mais 73 gerações em sua memória genética, onde sempre um representante de cada tronco familiar fica com a responsabilidade do repasse, entre eles, Youssouf koumbassa, Djanko De Faranah Camara, Assetou Diabaté, Billy Manden konaté, Kora Adama Keita e o maior de todos Famoudou Konaté, respeitado no mundo inteiro, atualmente com 78 anos.

Foto Marcinha Ferreira
Djanko Camara mora no Brasil há cinco anos e está há seis meses em Garopaba, explica que em seu país as culturas “Malinke” e “Mandingue” têm o significado de libertação: “eu venho de uma família que vive da arte. Fazemos para ser feliz porquê pra mim sem música não tem vida. Aqui tem gente de vários lugares do mundo unidos, trabalhando juntos pra conseguir o melhor na dança e na percussão, praticamente o dia todo, esse é o espírito dessa cultura”, enfatiza o Mestre Djanko.

Essa tradição já está bastante difundida na Europa, no Brasil chegou em 1962 quando da primeira visita do Mestre Famoudou Konaté, e conquistou muitos adeptos. 


Foto Marcinha Ferreira
O Mestre foi recrutado aos 19 anos pelo Ballets Africains, o grande ballet nacional da República da Guiné, com o qual viajou pelo mundo por 26 anos. Em 1987, três anos após o fim do regime marxista, ele foi convidado para ir a Alemanha por Johannes Beer para dar workshops e concertos, e não parou mais. Em sua primeira visita ao Brasil passou pelas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Desta vez esteve por quase 10 dias em Bombinhas, seguiu para São Paulo e de lá para sua casa na Guiné, onde se prepara para outra viagem, um workshop no Japão. “Estou muito feliz de estar aqui depois desse tempo todo, os brasileiros aprendem muito rápido e isso me deixa muito satisfeito. Na verdade, estar aqui no Brasil é como se tivesse na África’’, ainda disse, que estar num lugar como Bombinhas “é um presente e se eu não fosse tão velho me casava com uma mulher brasileira”.

A produção local começa os trabalhos para trazer no ano que vem novamente o Stage Camp África Raices para Bombinhas, segundo Santi Asef, o desejo dos envolvidos nesse movimento é ter no próximo ano mil participantes nas oficinas.