A culinária bombinense tem sua base em alimentos simples, que eram encontrados com facilidade na natureza, como o peixe e os frutos do mar, ou cultivados pela população. Mesmo dentro desta simplicidade é muito rica, saborosa e de aparência exótica pela mistura de cores e textura que os pratos proporcionam.

Os peixes eram preparados de diversas formas, atualmente enriquecidos com condimentos e especiarias oriundas de outras localidades. Mas os pratos tradicionais utilizavam o pexe frito, escalado (salgado enquanto fresco e deixado para secar, assim poderia ser conservado por muito tempo), ensopado, refogado (como a famosa estopinha que é feita com peixe desfiado), assado na brasa, sendo o sal o único tempero utilizado no pescado. Também os frutos do mar, por haver em abundância na área, têm diversas formas de preparo, destaque para o marisco, que foi muito importante na alimentação tradicional em épocas de escassez da pesca, e sempre foi consumido não importa a forma do preparo: frito, refogado, ensopado, ao bafo (cozido no vapor), o importante era consumir logo após a colheita, devido à facilidade de deterioração.

A farinha de mandioca também tem importância fundamental na alimentação tradicional. As famílias possuíam seus próprios engenhos e os que não eram proprietários trabalhavam junto aos amigos, que obtinham seu quinhão. Este ingrediente é a base do pirão, que pode ser feito como pirão d'água, pirão de peixe, de camarão, de feijão, conforme o gosto de cada um. O pirão d'água tem duas formas de preparo: o escaldado e a jacuva. Para preparar o escaldado é necessário que a água esteja fervendo, primeiro coloca a farinha e vai adicionando a água sem parar de mexer, já a jacuva água é morna (tem gente que faz até com água fria) e adiciona a farinha conforme o gosto. 

Também era e é possível consumir farinhas diferenciadas além da de mandioca, que poderiam ser de amendoim ou milho. E a mandioca, ainda, é a base de dois pratos essenciais na mesa tradicional: o beiju e o cuscus. O beijú é uma espécie de biscoito feito da massa oriunda da raspagem da mandioca, antes de fornear. É assada no forno do próprio engenho, pode ser doce ou salgado. Já o cuscus é mais trabalhoso, exige uma panela apropriada chamada “cuscuszeiro”, seu sabor e aparência lembram o beijú, todavia é mais grosso e amarelado devido a farinha de milho que integra a mistura da massa. Ainda da massa da farinha de mandioca, encalada ou não (o termo encalado é usado para referir-se a alimentos que não tiveram seu cozimento completado, mas não estão inteiramente crus) é possível fazer uma rosca que é vedete entre os locais, conhecida popularmente como coruja, ou rosca de massa.

O café cultivado pelos próprios moradores era secado, torrado e moído em casa, e a beira do fogão a lenha era passado o aparadinho (cafezinho coado na hora, a sobra era guardada no boião para fazer a consertada), ainda era possível tomar ou comer a mingola que é um pirãozinho de café com farinha de mandioca, e para muitas famílias este era o café da manhã. 

O bolo na folha recebe apelidos conforme a família, é um bolo feito com a farinha que houvesse disponível, lembrando que farinha de trigo era uma raridade, e assado na folha da bananeira. Tem um sabor exótico proporcionado pelas especiarias utilizadas, e fica com a aparência de um bolo abatumado. A banana é outra iguaria na culinária típica bombinense, poder ser servida frita, assada, cozida com ou sem farinha de mandioca. O bolinho de chuva também integra a gastronomia tradicional.

Havia uma diversidade de legumes que faziam parte da alimentação, na realidade o que houvesse no fundo do quintal, ou na mata, e era consumido refogado, destaque para o mamão verde, chuchu e a couve.

A cachaça era produzida em alambiques bombinenses, diversas famílias produziam para consumo e para comercializar. Destas cachaças nasceram a diversidade de licores encontrados no município. Era utilizada a fruta que houvesse no pomar, destaque para a camarinha, o butiá e o maracujá. A Consertada, um licor a base de cachaça e das sobras de café com a adição de especiarias, é uma bebida que não podia faltar, especialmente em ocasiões festivas, pois era servida junto a outros licores de frutas aos visitantes. Atualmente é um bem patrimonial bombinense, foi decretada Bebida Típica Cultural de Bombinhas pela Lei Nº 1318 de 23 de maio de 2013.