Pau de Fitas

É uma dança com pares soltos, independentes ou coletivos e em números de pares múltiplos de quatro (8,12,16, etc). Há um mestre sala que leva o pau de fitas até o centro do salão e sustenta-o durante a coreografia. A dança consiste em trançar as fitas e depois desfazer o trançado, ao ritmo da cantoria.

No passado, as pessoas iam de casa em casa dançando o pau de fitas. Hoje, ela pode ser apreciada, principalmente, em apresentações nas festas juninas da comunidade.

Boi de Mamão

Trata-se de um folguedo popularizado em todo litoral catarinense, com variações microrregionais, tanto na coreografia quanto nas figuras que fazem parte da brincadeira. Envolve música, canto e dança em torno do personagem principal: o boi. Em Bombinhas a encenação da “morte e ressurreição do boi”, não é tradicional, mas no decorrer dos anos, foi adicionado conforme o folguedo foi ensinado aos mais jovens.

Personagens:
  • O boi: é a figura central de toda a brincadeira por ser o animal de maior valor regional. É fundamental nas lidas diárias, no transporte e na movimentação do engenho.
  • A cabra: animal muito útil na comunidade litorânea, por ser facilmente criado em qualquer terreno. Fornecia leite e carne à população.
  • O cavalinho: é a homenagem ao bom laçador, o vaqueiro que percorria as paragens litorâneas conduzindo tropas de gado.
  • O urubu: importante na higienização das comunidades, estando sempre presente para devorar os restos dos peixes e animais que eram abatidos ou que morriam. Na brincadeira, ao se aproximar do boi, indica o perigo de morte do animal.
  • O cachorro: animal amigo, fiel e de guarda que procura velar pela defesa da propriedade de seu dono.
  • A bernúncia: animal com corpo de dragão chinês, de boca grande e móvel; representa a figura do bicho-papão. Assim, procura, na brincadeira, engolir as criancinhas que ficam assustadas. No norte de Santa Catarina recebe a denominação de barão.
  • O urso: animal estranho ao meio açoriano, representa exatamente a figura do indivíduo desleal, que nunca é bem vindo.


Terno de Reis

Os grupos são compostos por três cantadores sendo que um deles é o mestre tirador de verso, acompanhados ou não de instrumentos musicais como sanfona (gaita), chocalho, pandeiro, violão e cavaquinho. É através de cantorias que anunciam o nascimento de Jesus e visitam as casas. O início da visitação é no domingo do Advento (primeiro domingo de dezembro), o encerramento depende da concepção de cada localidade, alguns determinam o término no dia de Santo Reis em 06 de janeiro, outros no dia de Santo Amaro em 15 de janeiro e ainda, há o dia de São Sebastião, 20 de janeiro. Atualmente todo o grupo ajuda no coro. 

“Porta aberta luz acesa
É sinal de alegria
Mande entrar os Santos Reis
Com sua nobre família”.

Um diferencial de Bombinhas é receber o terno de reis com bebidas tradicionais, como butiá e diversos licores feitos a base de cachaça e frutas e, principalmente, a Consertada, Bebida Típica Cultural de Bombinhas instituída pela Lei Nº 1318 de 23 de maio de 2013, que sempre esteve presente a mesa local.

Atualmente existem sete grupos de Terno de Reis entre atuantes e ocasionais. 

Boi de campo

Ao longo do litoral catarinense existem os relatos da prática de brincadeiras em que o boi é a figura principal, desde Balneário Gaivota até Itapoá. Os antigos moradores das cidades litorâneas de Santa Catarina a chamavam de “brincadeira de boi bravo” ou “boi de campo” ainda existia o “boi na vara” que trata-se da brincadeira com o boi preso. Nos últimos trinta anos tornou-se conhecida por “farra do boi”.

O boi, antes de ser abatido, era brincado, amarrado com uma corda a uma vara ou solto em pastos, provocando correrias generalizadas. A brincadeira do boi de campo é uma prática que foi repassada de geração em geração, por pelo menos 230 anos.

Em Bombinhas, contavam os mais velhos, que antigamente vinham tropas de bois, onde os homens (geralmente os mais idosos, devido à sua experiência), escolhiam um animal e soltavam para brincar durante a Semana Santa. Eles se emaranhavam pelo mato atrás do boi, com o objetivo de “enticar” com o bicho para que este os enfrentassem. É uma brincadeira que divertia homens, mulheres, crianças e até pessoas idosas. Atualmente a brincadeira com o boi está legalmente proibida.

Intrudo

Durante o carnaval, a comunidade tinha o costume de jogar água nas pessoas. Isto acontecia naturalmente bastava encontrar alguém na rua, ou em alguma visita se iniciava a conversa e dali a pouco jogava-se uma canequinha de água no outro. Moças e rapazes faziam um limão de cera com água dentro e jogavam uns nos outros, ou então, com um bambu e uma rolha na ponta pegavam um palito para fazer pressão e espirrava água do outro lado (como uma seringa). Hoje essa brincadeira é praticada por uma minoria, como os mais antigos da comunidade.

Cordão de carnaval na praia

Surgiu por volta de 1950, as moças aprontavam suas fantasias carnavalescas e todas saiam, pela praia, para desfilar e brincar o carnaval, com a formação de blocos. O Rei Momo ia a frente puxando o pessoal. Hoje já não ha o mesmo cordão de carnaval pela praia, porém, Bombinhas apresenta há vários anos, nesta data, o desfile de blocos carnavalescos. Durante alguns anos desfilaram os blocos da Furiosa com moradores na bateira e a Unidos da Vila do Sapo, com bateria de Itajaí. A estes somaram os blocos Só Canha, Turma da Boia que desfilam nos bairros de Bombas e Centro, mas não são ininterruptos. No bairro Canto Grande existe o Peixe Frito e em 2015 foi instituído o Bloco do Léco. No bairro de Zimbros desfila o bloco Pau do Urubu. Há oito anos a Furiosa parou de desfilar. Atualmente nos bairros de Bombas e Centro desfilam os blocos da Vila do Sapo e Abstrato. 

Festas juninas

Tradicionalmente realizadas no mês de junho, em homenagem aos Santos Antônio, João e Pedro, tais festas, só têm importância em Santa Catarina, nas comunidades de origem açoriana. Em Bombinhas são realizadas pela rede de ensino, como característica didático cultural, mas principalmente, como forma de arrecadar fundos. As principais atrações das festas juninas são a dança da quadrilha, o casamento caipira e a dança do pau de fitas.

Pão Por Deus

Praticado pelos descendentes de açorianos como uma brincadeira popular, o Pão Por Deus consiste numa prova de amizade e de amor em que se pedia uma prenda, presente, casamento, namoro, etc. As pessoas faziam um coração de papel e o enviava com um presente e a pessoa que mandou recebia outro em troca. Ou, então, fazia-se um bolo em forma de coração o qual confeitavam e mandavam com um versinho solicitando um presente, sendo este gentilmente correspondido.

Eis um dos versos típicos que eram enviados:
“Lá vai meu coração
Com um passarinho preto e branco
Se não tiver outra coisa
Me manda um par de tamanco”.

Pasquim

O pasquim foi, e ainda é, um dos meios de comunicação apócrifos, “sem autor confesso”, que proporciona às comunidades uma forma de interlocução escrita espontânea. Estes manuscritos, sempre em forma de versos, eram encontrados em Bombinhas da mesma maneira que em outras localidades, ou seja, postos debaixo de portas ou em locais públicos (bares, vendas), sempre que um assunto, “fofoca”, envolvesse alguém da comunidade. Os boatos e as gozações se espalhavam rapidamente sem a identificação das fontes, para desespero dos envolvidos, pois não sabiam se seriam elogiados ou mal falados.
“Em uma tarde sombria
Parece que vai chover
Resolvi pensar um pouco
E começar escrever
Preste muita atenção
Em tudo que vou dizer 
A fulana é gente boa
É amiga de verdade
Gosto dela e não nego
É de muita sinceridade
Peço a Deus sempre conserve
Esta nossa amizade
Já conheci muita gente
Que é cheia de lero lero
Deste tipo de pessoa
Sinceridade não espero
Pode ser amiga de outros
Esta amizade não quero”.